segunda-feira, 7 de abril de 2014

A chegada

Desci no aeroporto de Foz e enviei uma mensagem para a moça da faculdade avisando que eu cheguei e que estava indo de taxi para aduana paraguaia. Eu queria muito que me pegassem no aeroporto e não sabia como iria fazer quando eu chegasse na aduana, como era o lugar, ou como faria com as minhas malas. Como não tinha outra opção eu fui, peguei um táxi, que me custou R$80,00 reais, e o taxista me deixou dentro da Paraguai, na frente da aduana. Desci do taxi, peguei minhas malas e entrei para mostrar minha identidade e pegar o papel que me dá direito a ficar 90 dias aqui.
Quando atravessei a ponte percebi como do lado de cá as coisas eram diferentes, percebi que o intercâmbio de fato estava começando e que a partir de agora iria ficar sozinha. Foi um sentimento bom mas ao mesmo tempo de medo. Uma mistura de sentimentos, algo inexplicável, como eu sabia que ia ser, pois estava começando a realizar um dos muitos sonhos que tenho.
Estava tão nervosa que não me saiu nenhuma palavra em espanhol, nem o “Hola, que tal?” expliquei que estava vindo para passar quatro meses e que iria estudar na Universidade Nacional del Este (UNE), ele me explicou os trâmites necessários e eu peguei o papel de que precisava, já que não estava com meu passaporte, o qual eu perdi no dia da viagem. Rs
Quando sai da salinha da aduana, fiquei parada durante dez minutos pensando em como iria atravessar aquilo. Eu estava com uma mala de rodinhas grande, uma mochila, uma bolsa e meu travesseiro; a aduana são 4 ruas, duas no sentido Brasil - Paraguai e duas no sentido Paraguai – Brasil, além dos dois corredores para motos. No sentido Brasil – Paraguai não vinham muitos carros, então não foi difícil atravessar, mas o sentido Paraguai – Brasil era um verdadeiro caos, uma enorme fila de carros, motos passando a todo tempo, carros entrando um na frente do outro, muita buzina, e do outro lado da rua, moto taxistas que já gritavam me perguntando para onde eu iria.
Eu só tinha que atravessar e chegar ao Shopping del Este, que estava a duas ruas de distância de mim, minha tranquilidade se encontrava ali, no motorista que havia vindo me pegar. Só que não! Hihi
Passado o desafio de atravessar as duas ruas com uma mala enorme, cheguei ao Shopping e cadê o motorista? Não estava, claro. Isso não seria tão fácil. Enviei uma mensagem para a secretária da UNE e lhe disse que não havia ninguém onde havíamos combinado. Ela me pediu para procurar por ele, e agora não era mais os moto taxistas que me perguntavam onde eu queria ir, eram os taxistas. Peguei minha mala e andei pela calçada procurando algum carro com o nome da universidade, ou alguém que parecesse o motorista de uma universidade. Nada. Ela então me pediu para procurar um carro “gris”. Que diabos de cor era essa que eu não me lembrava naquele momento :(. Por sorte meu telefone ainda funcionava, enviei uma mensagem para meu namorado e foi ele quem me contou que “gris” era cinza. Hauhahauaha Isso não adiantou muito, ainda assim não encontrei o carro.
Resolvi ficar parada, porque ficar andando com aquele monte de coisa não estava me ajudando. Enquanto estava ali, esperando ser encontrada (que dramática) comecei a reparar nas ruas depois da aduana, senti medo mais uma vez. As coisas que eu havia ouvido antes de viajar já não eram muito encorajadoras, quando me vi ali sozinha, com as malas, ficando sem bateria, tudo pareceu muito mais assustador. Na rua em que eu estava havia montanhas de lixo, para ajudar havia chovido, então o céu estava cinza (gris) e climas assim me remetem a tristeza.
Fiquei esperando até que fui encontrada ( :D). Melhor sensação da vida. Me senti tão contente que quase abracei o motorista. Muito gentil me perguntou se eu era Thais, disse que sim. Ele então pegou minha mala e seguimos até o carro, que por sinal estava bem longinho do Shopping del Este, do outro lado dos 4 ruas que eu atravessei –'. No final, eu nem precisava ter atravessado.
Tirando este fato, foi só eu entrar no carro e começar a andar para as coisas irem mudando. O motorista, muito gentil, tentou conversar comigo. Eu muito nervosa não consegui falar uma palavra em espanhol.
No carro as ruas não me pareceram mais tão sujas, era muita coisa para olhar e conhecer, registrar cada parte das calçadas, os letreiros, as pessoas, o trânsito, o bairro. “Como era bom estar alí” era o que eu pensava.
Enfim, chegamos à Universidade, André – O motorista- me mostrou-a e logo depois já estávamos na residência. Ele parou o carro, abriu o porta malas, desceu minhas coisas, eu desci, ele me disse que sempre estava na Universidade e que tudo o que precisasse era só procurá-lo na UNE.

Foi embora e eu entrei, mas aqui já é assunto para outro post.

3 comentários:

  1. A Regi tem razão nos conte tudo por este blog, que sentimento de tristeza e orgulho me deu ao ler a tua chegada ai, cada dia mais vejo vc crescendo e me dá orgulho tua coragem, determinação e até mesmo ousadia !!!! è preciso um potinho com todas essas características e um tanto de humildade também , que sei que vc tem, pra viajar e descobrir o mundo !!!!!!!! Parabéns !!!!!!!

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  2. isso ai Thais, continua escrevendo foi mto legal "ver" suas experiencias , ;)

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  3. Você descreveu perfeitamente a sensação de chegada: é uma sensação de tipo "O que eu vim fazer nesse lugar" com ao mesmo tempo "Que demais tudo isso". Continue escrevendo e coloque fotos junto também! Aproveite bastante, tenho certeza que td será bem intenso e num piscar de olhos vc já estará aqui novamente, por isso resgate toda essa cultura latina e nos traga outros olhos do Paraguay. Buen Suerte!

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