segunda-feira, 21 de abril de 2014

Hospitalidade

Não tenho muito para comentar sobre a casa e por isso pulo esta parte para comentar a hospitalidade recebida desde que cheguei aqui.
Faço um post sobre isso, pois venho me surpreendendo cada dia mais com o modo como tenho sido tratada. Em todos os lugares sempre fui muito bem recebida e muitos paraguaios sempre se colocam a disposição para nos ajudar com o que precisarmos.
Seja na casa ou na universidade, as pessoas estão sempre dispostas a nos ajudar, a nos levar para conhecer os lugares turísticos do Paraguai ou nos levar para fazer uma compra no supermercado.
Trago dois casos para contar, muito interessantes, que me fizeram repensar minhas atitudes para com os outros no Brasil.
Estávamos eu e mais uma intercambista em nossa primeira aula de prática educacional na faculdade quando a professora, muito curiosa com a nossa condição aqui, começou a perguntar o que comíamos, onde dormíamos, se tínhamos roupas para suportar o frio daqui, entre outras tantas perguntas. Durante esta conversa, comentamos que estávamos comendo muito hambúrguer, pois aqui em cada esquina tem um lugar vendendo isso e eles são muito gostosos, comentamos também que não tínhamos muitos cobertores, mas que por enquanto estávamos bem assistidas.
A Professora sem nem pensar muito, se pôs a nós dar uma bronca por causa de nossa alimentação, até me lembrei de algumas pessoas no Brasil que possuem essa função na minha vida (rs), disse que precisávamos cozinhar e comer comidas mais saudáveis, e emendou sua fala (bronca) com o oferecimento de seus cobertores, que não eram novos, mas iriam nos esquentar muito bem.
Que obrigação esta mulher tinha de nos oferecer suas coisas? Quando eu faria isso por outra pessoa assim, sem nem pensar? Fiquei muito espantada e ao mesmo tempo tão feliz de estar aqui podendo conhecer estas pessoas.
O segundo caso me deixou ainda mais sem palavras. Era o nosso primeiro dia de prática (tenho uma companheira de intercâmbio que também estuda pedagogia e por isso fazemos as matérias juntas). Era um dia com cara de tristeza, o céu cinza (olha o gris aí de novo), mas lá fomos nós para o nosso primeiro dia de prática, com grande preguiça, confesso.
No meio do caminho a chuva começou, uma chuva muito forte, era claro que o guarda-chuva não daria conta daquele dilúvio, mas fui torcendo para que quando chegássemos no ponto a chuva parasse. Ela não parou, descemos do ônibus e o primeiro banho foi aí. Nos perdemos um pouco, mas logo encontramos o ponto onde pegaríamos o outro ônibus para chegar ao destino final.
Quando descemos do segundo ônibus para chegar na escola, mais outro banho. Estávamos com os braços e as pernas até o joelho, molhados e sem blusa de frio. Para mim, uma situação muito triste. Para melhorar, São Pedro decidiu que ia mesmo fazer a lavagem no céu; choveu tanto que alagou a escola e os alunos não foram. Não fizemos prática nenhuma, só descobrimos que em dias de chuva fortes como aquela os alunos não iam para aula, pois vinham de longe e de ônibus e a escola nao tinha condições de receber os alunos, já que havia água até na sala de aula.
Ficamos na sala da direção, junto com algumas professoras, foi aí que comecei a receber algumas mensagens no meu celular de um número que eu não conhecia. Era nossa amiga Noelia.
Noelia conheceu uma das intercambistas pelo facebook, aqui elas saíram e se conheceram de verdade, depois, Sara, a intercambista, nos levou a conhecer Noelia e Giann, que são as duas irmãs paraguaias (mais fofas que eu já conheci). Noelia já fez intercâmbio no Brasil.
Noelia perguntava na mensagem se estávamos bem e se tínhamos encontrado a escola, eu lhe disse que sim, mas que não haveria aula, pois a escola estava alagada. Um pouco depois recebo uma ligação, era Giann, perguntou como estávamos e disse que ia nos buscar.
Não vou me prolongar nos detalhes, no final conversei com as meninas, com a diretora da escola e fomos embora com Giann, que nos pegou na escola e nos deixou na porta de casa.
Fiquei tão emocionada com o gesto das meninas. Elas mal nos conhecem e dispuseram uma hora do seu dia, do seu trabalho, a nos buscar, só porque estávamos molhadas. Minha irmã que me desculpe, mas acho que ela não faria isso por mim em Campinas (hihi).
Não consegui agradecer em palavras o que as meninas fizeram, no carro ainda ganhamos bala de mel para não ficarmos com dor de garganta.
Ainda estou intrigada com tanta bondade destas pessoas e agradeço todos os dias a oportunidade de estar aqui, no Paraguai, conhecendo pessoas assim.
Se existissem mais paraguaios como esses no mundo talvez ele fosse melhor.


Um comentário:

  1. Pois bem filha , foi isso que sempre te falei, nesse mundo, o que ganhamos em nossas viagens , são essas situações que nos levam a conhecer pessoas com atitudes, tão surpreendentes que jamais serão esquecidas e lógico, o ensinamentos que recebemos dessas atitudes tomadas para conosco, nunca sairão de nossas lembranças e se tornarão nossas atitudes também, o ganho de conhecermos pessoas de outras regiões são muito valiosos para nosso crescimento, estou muito feliz de ver o quanto você vai aprender ai, e o quanto você esta feliz!!!!!

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