Desci no aeroporto de Foz e enviei uma
mensagem para a moça da faculdade avisando que eu cheguei e que
estava indo de taxi para aduana paraguaia. Eu queria muito que me
pegassem no aeroporto e não sabia como iria fazer quando eu chegasse
na aduana, como era o lugar, ou como faria com as minhas malas. Como
não tinha outra opção eu fui, peguei um táxi, que me custou
R$80,00 reais, e o taxista me deixou dentro da Paraguai, na frente da
aduana. Desci do taxi, peguei minhas malas e entrei para mostrar
minha identidade e pegar o papel que me dá direito a ficar 90 dias
aqui.
Quando atravessei a ponte percebi como
do lado de cá as coisas eram diferentes, percebi que o intercâmbio
de fato estava começando e que a partir de agora iria ficar sozinha.
Foi um sentimento bom mas ao mesmo tempo de medo. Uma mistura de
sentimentos, algo inexplicável, como eu sabia que ia ser, pois
estava começando a realizar um dos muitos sonhos que tenho.
Estava tão nervosa que não me saiu
nenhuma palavra em espanhol, nem o “Hola, que tal?” expliquei que
estava vindo para passar quatro meses e que iria estudar na
Universidade Nacional del Este (UNE), ele me explicou os trâmites
necessários e eu peguei o papel de que precisava, já que não
estava com meu passaporte, o qual eu perdi no dia da viagem. Rs
Quando sai da salinha da aduana, fiquei
parada durante dez minutos pensando em como iria atravessar aquilo.
Eu estava com uma mala de rodinhas grande, uma mochila, uma bolsa e
meu travesseiro; a aduana são 4 ruas, duas no sentido Brasil -
Paraguai e duas no sentido Paraguai – Brasil, além dos dois
corredores para motos. No sentido Brasil – Paraguai não vinham
muitos carros, então não foi difícil atravessar, mas o sentido
Paraguai – Brasil era um verdadeiro caos, uma enorme fila de
carros, motos passando a todo tempo, carros entrando um na frente do
outro, muita buzina, e do outro lado da rua, moto taxistas que já
gritavam me perguntando para onde eu iria.
Eu só tinha que atravessar e chegar ao
Shopping del Este, que estava a duas ruas de distância de mim, minha
tranquilidade se encontrava ali, no motorista que havia vindo me
pegar. Só que não! Hihi
Passado o desafio de atravessar as duas
ruas com uma mala enorme, cheguei ao Shopping e cadê o motorista?
Não estava, claro. Isso não seria tão fácil. Enviei uma mensagem
para a secretária da UNE e lhe disse que não havia ninguém onde
havíamos combinado. Ela me pediu para procurar por ele, e agora não
era mais os moto taxistas que me perguntavam onde eu queria ir, eram
os taxistas. Peguei minha mala e andei pela calçada procurando algum
carro com o nome da universidade, ou alguém que parecesse o
motorista de uma universidade. Nada. Ela então me pediu para
procurar um carro “gris”. Que diabos de cor era essa que eu não
me lembrava naquele momento :(. Por sorte meu telefone ainda
funcionava, enviei uma mensagem para meu namorado e foi ele quem me
contou que “gris” era cinza. Hauhahauaha Isso não adiantou
muito, ainda assim não encontrei o carro.
Resolvi ficar parada, porque ficar
andando com aquele monte de coisa não estava me ajudando. Enquanto
estava ali, esperando ser encontrada (que dramática) comecei a
reparar nas ruas depois da aduana, senti medo mais uma vez. As coisas
que eu havia ouvido antes de viajar já não eram muito
encorajadoras, quando me vi ali sozinha, com as malas, ficando sem
bateria, tudo pareceu muito mais assustador. Na rua em que eu estava
havia montanhas de lixo, para ajudar havia chovido, então o céu
estava cinza (gris) e climas assim me remetem a tristeza.
Fiquei esperando até que fui
encontrada ( :D). Melhor sensação da vida. Me senti tão contente
que quase abracei o motorista. Muito gentil me perguntou se eu era
Thais, disse que sim. Ele então pegou minha mala e seguimos até o
carro, que por sinal estava bem longinho do Shopping del Este, do
outro lado dos 4 ruas que eu atravessei –'. No final, eu nem
precisava ter atravessado.
Tirando este fato, foi só eu entrar no
carro e começar a andar para as coisas irem mudando. O motorista,
muito gentil, tentou conversar comigo. Eu muito nervosa não consegui
falar uma palavra em espanhol.
No carro as ruas não me pareceram mais
tão sujas, era muita coisa para olhar e conhecer, registrar cada
parte das calçadas, os letreiros, as pessoas, o trânsito, o bairro.
“Como era bom estar alí” era o que eu pensava.
Enfim, chegamos à Universidade, André
– O motorista- me mostrou-a e logo depois já estávamos na
residência. Ele parou o carro, abriu o porta malas, desceu minhas
coisas, eu desci, ele me disse que sempre estava na Universidade e
que tudo o que precisasse era só procurá-lo na UNE.
Foi embora e eu entrei, mas aqui já é
assunto para outro post.
A Regi tem razão nos conte tudo por este blog, que sentimento de tristeza e orgulho me deu ao ler a tua chegada ai, cada dia mais vejo vc crescendo e me dá orgulho tua coragem, determinação e até mesmo ousadia !!!! è preciso um potinho com todas essas características e um tanto de humildade também , que sei que vc tem, pra viajar e descobrir o mundo !!!!!!!! Parabéns !!!!!!!
ResponderExcluirisso ai Thais, continua escrevendo foi mto legal "ver" suas experiencias , ;)
ResponderExcluirVocê descreveu perfeitamente a sensação de chegada: é uma sensação de tipo "O que eu vim fazer nesse lugar" com ao mesmo tempo "Que demais tudo isso". Continue escrevendo e coloque fotos junto também! Aproveite bastante, tenho certeza que td será bem intenso e num piscar de olhos vc já estará aqui novamente, por isso resgate toda essa cultura latina e nos traga outros olhos do Paraguay. Buen Suerte!
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