Não tenho
muito para comentar sobre a casa e por isso pulo esta parte para comentar a
hospitalidade recebida desde que cheguei aqui.
Faço um post
sobre isso, pois venho me surpreendendo cada dia mais com o modo como tenho
sido tratada. Em todos os lugares sempre fui muito bem recebida e muitos paraguaios
sempre se colocam a disposição para nos ajudar com o que precisarmos.
Seja na casa
ou na universidade, as pessoas estão sempre dispostas a nos ajudar, a nos levar
para conhecer os lugares turísticos do Paraguai ou nos levar para fazer uma
compra no supermercado.
Trago dois
casos para contar, muito interessantes, que me fizeram repensar minhas atitudes
para com os outros no Brasil.
Estávamos eu
e mais uma intercambista em nossa primeira aula de prática educacional na
faculdade quando a professora, muito curiosa com a nossa condição aqui, começou
a perguntar o que comíamos, onde dormíamos, se tínhamos roupas para suportar o
frio daqui, entre outras tantas perguntas. Durante esta conversa, comentamos
que estávamos comendo muito hambúrguer, pois aqui em cada esquina tem um lugar
vendendo isso e eles são muito gostosos, comentamos também que não tínhamos
muitos cobertores, mas que por enquanto estávamos bem assistidas.
A Professora
sem nem pensar muito, se pôs a nós dar uma bronca por causa de nossa
alimentação, até me lembrei de algumas pessoas no Brasil que possuem essa
função na minha vida (rs), disse que precisávamos cozinhar e comer comidas mais
saudáveis, e emendou sua fala (bronca) com o oferecimento de seus cobertores,
que não eram novos, mas iriam nos esquentar muito bem.
Que
obrigação esta mulher tinha de nos oferecer suas coisas? Quando eu faria isso
por outra pessoa assim, sem nem pensar? Fiquei muito espantada e ao mesmo tempo
tão feliz de estar aqui podendo conhecer estas pessoas.
O segundo
caso me deixou ainda mais sem palavras. Era o nosso primeiro dia de prática
(tenho uma companheira de intercâmbio que também estuda pedagogia e por isso
fazemos as matérias juntas). Era um dia com cara de tristeza, o céu cinza (olha
o gris aí de novo), mas lá fomos nós para o nosso primeiro dia de prática, com
grande preguiça, confesso.
No meio do
caminho a chuva começou, uma chuva muito forte, era claro que o guarda-chuva
não daria conta daquele dilúvio, mas fui torcendo para que quando chegássemos
no ponto a chuva parasse. Ela não parou, descemos do ônibus e o primeiro banho
foi aí. Nos perdemos um pouco, mas logo encontramos o ponto onde pegaríamos o
outro ônibus para chegar ao destino final.
Quando
descemos do segundo ônibus para chegar na escola, mais outro banho. Estávamos
com os braços e as pernas até o joelho, molhados e sem blusa de frio. Para mim,
uma situação muito triste. Para melhorar, São Pedro decidiu que ia mesmo fazer
a lavagem no céu; choveu tanto que alagou a escola e os alunos não foram. Não
fizemos prática nenhuma, só descobrimos que em dias de chuva fortes como aquela
os alunos não iam para aula, pois vinham de longe e de ônibus e a escola nao
tinha condições de receber os alunos, já que havia água até na sala de aula.
Ficamos na
sala da direção, junto com algumas professoras, foi aí que comecei a receber
algumas mensagens no meu celular de um número que eu não conhecia. Era nossa
amiga Noelia.
Noelia
conheceu uma das intercambistas pelo facebook, aqui elas saíram e se conheceram
de verdade, depois, Sara, a intercambista, nos levou a conhecer Noelia e Giann,
que são as duas irmãs paraguaias (mais fofas que eu já conheci). Noelia já fez
intercâmbio no Brasil.
Noelia
perguntava na mensagem se estávamos bem e se tínhamos encontrado a escola, eu
lhe disse que sim, mas que não haveria aula, pois a escola estava alagada. Um
pouco depois recebo uma ligação, era Giann, perguntou como estávamos e disse
que ia nos buscar.
Não vou me
prolongar nos detalhes, no final conversei com as meninas, com a diretora da
escola e fomos embora com Giann, que nos pegou na escola e nos deixou na porta
de casa.
Fiquei tão
emocionada com o gesto das meninas. Elas mal nos conhecem e dispuseram uma hora
do seu dia, do seu trabalho, a nos buscar, só porque estávamos molhadas. Minha
irmã que me desculpe, mas acho que ela não faria isso por mim em Campinas
(hihi).
Não consegui
agradecer em palavras o que as meninas fizeram, no carro ainda ganhamos bala de
mel para não ficarmos com dor de garganta.
Ainda estou
intrigada com tanta bondade destas pessoas e agradeço todos os dias a
oportunidade de estar aqui, no Paraguai, conhecendo pessoas assim.
Se existissem mais paraguaios como esses no mundo talvez ele fosse melhor.
Se existissem mais paraguaios como esses no mundo talvez ele fosse melhor.
